Ser mãe cedo é se arrepender e se frustrar.
É questionar se a foda valeu a pena, por todos os anos supostamente perdidos.
É pensar naquela faculdade sendo adiada. É achar que seus sonhos estão se distanciando e esvaecendo. É saber que a vida que você levava acabou e não querer lidar com a nova. É ter medo, vontade de sumir, morrer, ter inúmeras angústias. É precisar correr atrás de dinheiro assim que a amamentação acabar, porque agora você não tem mais que se preocupar só com seus estudos e alimentação. Tem que cuidar de uma vida, com todos os cuidados necessários, com as compras, os gastos e mais gastos. É dizer "não quero isso". É ser julgada em qualquer lugar, por um qualquer entre os apontadores de dedo. É ter ansiedade para ver o ser que está dentro de você e vontade de amá-lo, até que minutos depois o desespero volta, a vontade de isso não estar acontecendo, o desejo de se livrar de um filho indesejado.
Tudo isso no início da gestação.
É sentir a raiva passar e saber que a criança terá todo seu amor, apesar dos temores serem presentes. É acordar no meio da madrugada enquanto seus colegas dormem, se preparando para o dia de estudos, com choros. É se doar por inteiro a outro ser, na idade em que isso deve ser evitado.
É como ser mãe em qualquer momento, porque você ama, cuida, e dá tudo de si. Para que essa criança seja melhor do que você jamais foi. Seja tão amada quanto ou mais. Tenha todo o suporte que você teve ou além. É proporcionar experiências maravilhosas que vão fazê-la crescer. A criança, e você. É aprender com quem aprende de você, mutuamente. É ver você em outrem.
É ter certeza de que a foda valeu a pena, por todos os anos ganhos.
04/2017
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