quarta-feira, 24 de novembro de 2021

There ain't no love anymore

Qual o ponto de uma história de amor

Se o amor já padeceu há muito?

Qual a razão de sonhar à dois

Se a dualidade matou o eu?


Se a voz de fora cala a tua

E dentro só se faz sofrer

Guardar

Temer?


Qual o ponto de seguir

Se o habitual dói?

Qual a razão de tentar

Se dentro te queixas?


Se queima o peito e a garganta

Sem satisfazer

Ou amar

E só perder?


Qual o ponto de querer seguir

Se o futuro asfixia?

Qual a razão de um duelo

Se sozinha danças?


Se ao tentar ser dois

Não é nenhum


Se...


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Tu e o (sor)riso

 Foste tu quem devolvera o riso

a minha alma entristecida

E também tu quem, tempos depois,

arrancou-me o sorriso da face


Diga-me: ao menos guarda-o contigo,

colecionado no peito?

sábado, 25 de julho de 2020

Acalento

Minha voz ainda tenta ser poesia
Mas falha rouca quase sempre
Ciente de que há uma tristeza latente
Que se infiltra pelas veias

E o peito apertado e miúdo
Querendo cantar busca refúgio
Em um acalento distante
Com tom de aconchego
E todavia sem calor



05/20

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Ininterrupto

Nunca pensei que o amar pudesse ser contínuo
Ininterrupto
O amor que eu conhecia cessava
Ou ao menos calava, dando voz à dor
Antes de enfim se renovar e ressurgir

Há tantas mais formas de amar
Nelas o amor não silencia e sim grita
Digladia com as adversidades e dores
Em uma balança, mas sem nunca perder
E como chama morna se alastra mais

Obrigada por me mostrar quão infinito, mesmo que cansado, o amor pode ser

- Mamãe

11/05/2020

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Arte de baixo calão

Vou cuspindo palavras sobre o papel, sem nexo, sem rumo
Elas, que começaram embutidas de sentimento, perdem-se
Passam a significar porra nenhuma
Manchas escuras no delineado da caneta
Juro que a tinta estourou, até perceber que é merda
Merda escrita, textos bostejados pelo peito, falhas na boca e piores quando marcadas na folha
Nessa confusão que embaralha os pensamentos, nem escrever posso
Já não faz sentido, já não flui, e contento-me
Contento-me com essa de existência sôfrega e vazia, sem pensar, sem registrar
Largo a caneta, lágrimas nos olhos, gotas no papel
Olho: uma imensidão de manchas que te engolem em sentimentos
Puta que pariu! Que ironia
Sou uma artista do caralho.


03/2019

Facão

Quantas almas ceifei
E quantos corpos feri
Brandindo meu facão
Ao tentar trilhar minha felicidade?

Desbravando a mata densa
Dessa selva de pessoas
Esqueci que a lâmina afiada
Dilacerava os que me cercavam

Abri o caminho, com pesar
E ele não me entregou à alegria
Pensei que era, ao menos, prova
De que segui em frente e cresci

Ao olhar para trás, contudo
Encontrei dor e morte
O luto dos corações
Que meu facão assolou


04/2020

Castigo

Dentro de mim há outra eu
Eu capitão do mato
Que segue a açoitar
Minhas fragilidades

Enquanto anseio por um abraço
Sôfrega à espera de acolhimento
Esse punho de ferro me ataca
Castigando-me com minha própria mão

Ah, se eu não buscasse refúgio
Nesse invólucro de tristeza
E autoinfligida solidão


04/2020