Minha voz ainda tenta ser poesia
Mas falha rouca quase sempre
Ciente de que há uma tristeza latente
Que se infiltra pelas veias
E o peito apertado e miúdo
Querendo cantar busca refúgio
Em um acalento distante
Com tom de aconchego
E todavia sem calor
05/20
sábado, 25 de julho de 2020
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Ininterrupto
Nunca pensei que o amar pudesse ser contínuo
Ininterrupto
O amor que eu conhecia cessava
Ou ao menos calava, dando voz à dor
Antes de enfim se renovar e ressurgir
Há tantas mais formas de amar
Nelas o amor não silencia e sim grita
Digladia com as adversidades e dores
Em uma balança, mas sem nunca perder
E como chama morna se alastra mais
Obrigada por me mostrar quão infinito, mesmo que cansado, o amor pode ser
- Mamãe
Ininterrupto
O amor que eu conhecia cessava
Ou ao menos calava, dando voz à dor
Antes de enfim se renovar e ressurgir
Há tantas mais formas de amar
Nelas o amor não silencia e sim grita
Digladia com as adversidades e dores
Em uma balança, mas sem nunca perder
E como chama morna se alastra mais
Obrigada por me mostrar quão infinito, mesmo que cansado, o amor pode ser
- Mamãe
11/05/2020
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Arte de baixo calão
Vou cuspindo palavras sobre o papel, sem nexo, sem rumo
Elas, que começaram embutidas de sentimento, perdem-se
Passam a significar porra nenhuma
Manchas escuras no delineado da caneta
Juro que a tinta estourou, até perceber que é merda
Merda escrita, textos bostejados pelo peito, falhas na boca e piores quando marcadas na folha
Nessa confusão que embaralha os pensamentos, nem escrever posso
Já não faz sentido, já não flui, e contento-me
Contento-me com essa de existência sôfrega e vazia, sem pensar, sem registrar
Largo a caneta, lágrimas nos olhos, gotas no papel
Olho: uma imensidão de manchas que te engolem em sentimentos
Puta que pariu! Que ironia
Sou uma artista do caralho.
Elas, que começaram embutidas de sentimento, perdem-se
Passam a significar porra nenhuma
Manchas escuras no delineado da caneta
Juro que a tinta estourou, até perceber que é merda
Merda escrita, textos bostejados pelo peito, falhas na boca e piores quando marcadas na folha
Nessa confusão que embaralha os pensamentos, nem escrever posso
Já não faz sentido, já não flui, e contento-me
Contento-me com essa de existência sôfrega e vazia, sem pensar, sem registrar
Largo a caneta, lágrimas nos olhos, gotas no papel
Olho: uma imensidão de manchas que te engolem em sentimentos
Puta que pariu! Que ironia
Sou uma artista do caralho.
03/2019
Facão
Quantas almas ceifei
E quantos corpos feri
Brandindo meu facão
Ao tentar trilhar minha felicidade?
Desbravando a mata densa
Dessa selva de pessoas
Esqueci que a lâmina afiada
Dilacerava os que me cercavam
Abri o caminho, com pesar
E ele não me entregou à alegria
Pensei que era, ao menos, prova
De que segui em frente e cresci
Ao olhar para trás, contudo
Encontrei dor e morte
O luto dos corações
Que meu facão assolou
E quantos corpos feri
Brandindo meu facão
Ao tentar trilhar minha felicidade?
Desbravando a mata densa
Dessa selva de pessoas
Esqueci que a lâmina afiada
Dilacerava os que me cercavam
Abri o caminho, com pesar
E ele não me entregou à alegria
Pensei que era, ao menos, prova
De que segui em frente e cresci
Ao olhar para trás, contudo
Encontrei dor e morte
O luto dos corações
Que meu facão assolou
04/2020
Castigo
Dentro de mim há outra eu
Eu capitão do mato
Que segue a açoitar
Minhas fragilidades
Enquanto anseio por um abraço
Sôfrega à espera de acolhimento
Esse punho de ferro me ataca
Castigando-me com minha própria mão
Ah, se eu não buscasse refúgio
Nesse invólucro de tristeza
E autoinfligida solidão
Eu capitão do mato
Que segue a açoitar
Minhas fragilidades
Enquanto anseio por um abraço
Sôfrega à espera de acolhimento
Esse punho de ferro me ataca
Castigando-me com minha própria mão
Ah, se eu não buscasse refúgio
Nesse invólucro de tristeza
E autoinfligida solidão
04/2020
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